Defesa sustenta que o prazo de inelegibilidade já terminou, mas decisão unânime mantém o ex-governador fora da disputa; postura marcada por ataques também dificultaria alianças em um eventual segundo turno

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, nesta sexta-feira (11), o pedido de registro da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) ao Governo do Estado. A decisão foi fundamentada em uma condenação por improbidade administrativa que determinou a suspensão dos direitos políticos do ex-governador por oito anos. Segundo o TRE-RJ, ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para os desembargadores eleitorais, a punição continua produzindo efeitos porque o processo somente teve seu trânsito em julgado certificado em julho de 2025. Seguindo essa interpretação, Garotinho permanece com os direitos políticos suspensos e, consequentemente, impedido de disputar as eleições.

A defesa apresenta uma contagem diferente. Os advogados argumentam que o período de inelegibilidade deveria ter começado em agosto de 2018, quando teria terminado o prazo para apresentação do último recurso naquele processo. Com base nesse entendimento, sustentam que a restrição já estaria encerrada.

Garotinho não compareceu à sessão de julgamento. Durante uma transmissão ao vivo, afirmou que recorrerá às instâncias superiores para tentar reverter a decisão e permanecer na disputa pelo Palácio Guanabara. Mesmo com o registro sob análise judicial, o ex-governador vinha participando de debates, entrevistas e atividades de campanha.

Além do obstáculo jurídico, Garotinho enfrentava uma dificuldade essencialmente política. Sua estratégia de campanha, marcada por críticas generalizadas e ataques frequentes a adversários, poderia até manter seu nome em evidência e mobilizar uma parcela fiel do eleitorado, mas reduziria drasticamente suas possibilidades de construir alianças.

Em uma eleição majoritária, chegar ao segundo turno não é suficiente. Para vencer, o candidato precisa ampliar sua base, conversar com forças políticas derrotadas na primeira etapa e conquistar o apoio de lideranças, partidos e eleitores que inicialmente estavam em outros campos. Ao transformar praticamente todos os concorrentes em inimigos e agredi-los politicamente durante a campanha, Garotinho fecharia as portas para futuras composições.

Assim, mesmo que conseguisse superar a barreira judicial e avançar ao segundo turno, o ex-governador provavelmente encontraria um cenário de forte isolamento. Quem ataca todos durante a primeira fase da eleição dificilmente consegue reunir esses mesmos grupos em torno de sua candidatura na etapa decisiva. Sua postura de confronto, portanto, poderia retirar dele qualquer possibilidade concreta de formar uma frente política suficientemente ampla para vencer a disputa estadual.

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