O primeiro debate entre candidatos ao Governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, realizado pela Band neste domingo (9), deixou uma impressão preocupante: diante dos enormes desafios enfrentados pelo estado, faltaram propostas mais consistentes, aprofundamento técnico e uma discussão capaz de mostrar ao eleitor caminhos claros para o futuro do Rio.
Em diversos momentos, o confronto político pareceu ocupar mais espaço do que a apresentação de soluções para segurança pública, saúde, desenvolvimento econômico, infraestrutura e recuperação da capacidade administrativa do Estado.
A ausência de Eduardo Paes
Um dos principais assuntos da noite foi justamente quem não estava no estúdio. Eduardo Paes (PSD) decidiu não participar do debate. Sua campanha informou que a decisão seguiu orientação jurídica para aguardar o início oficial da campanha e a confirmação dos registros das candidaturas pela Justiça Eleitoral.
A ausência abriu espaço para que os adversários concentrassem críticas no candidato do PSD. Em diferentes momentos, sua gestão, seu grupo político e aliados foram utilizados pelos concorrentes como alvos dos ataques.
Independentemente da justificativa jurídica apresentada, a ausência de um dos principais nomes da disputa acabou retirando do debate um confronto que poderia ajudar o eleitor a comparar propostas e projetos para o estado.
Anthony Garotinho
Experiente e conhecido pela habilidade no confronto político, Anthony Garotinho (Republicanos) recorreu ao sarcasmo e à perspicácia que historicamente caracterizam sua atuação pública.
Entretanto, poderia ter aproveitado sua experiência como ex-governador para assumir maior protagonismo na apresentação de propostas concretas e tecnicamente detalhadas. Em um debate no qual faltou profundidade em vários momentos, Garotinho tinha a oportunidade de elevar a discussão e apresentar com maior clareza o projeto que pretende implementar caso retorne ao Palácio Guanabara.
Douglas Ruas
Douglas Ruas (PL) também enfrentou o desafio de convencer o eleitor de que possui um programa estruturado para administrar um estado da dimensão e complexidade do Rio de Janeiro.
Sua participação deixou questões que precisarão ser respondidas ao longo da campanha, especialmente sobre planejamento, prioridades administrativas e as soluções que pretende apresentar para os principais problemas fluminenses.
Para crescer eleitoralmente, terá outras oportunidades de detalhar melhor suas propostas e demonstrar domínio sobre os temas estaduais.
William Siri
O vereador William Siri (PSOL) poderia igualmente ter utilizado o espaço para apresentar de maneira mais clara aquilo que diferencia sua candidatura.
O debate oferecia uma importante vitrine para que Siri demonstrasse ao eleitorado por que considera seu projeto uma alternativa aos grupos políticos tradicionais. Em vários momentos, porém, o confronto político ganhou mais destaque do que a exposição aprofundada de propostas.
André Marinho
André Marinho (Novo), conhecido também por sua trajetória no humor e na comunicação, apresenta-se como um rosto relativamente novo na disputa pelo comando do Estado.
Essa novidade, entretanto, aumenta a necessidade de demonstrar preparo técnico e conhecimento aprofundado dos problemas fluminenses. Ao longo da campanha, Marinho terá o desafio de mostrar que sua candidatura vai além da capacidade de comunicação e que existe um projeto consistente por trás dela.
O Rio precisa de um debate à altura de seus problemas
O primeiro encontro mostrou ainda uma campanha em construção. Os candidatos terão novas oportunidades para apresentar programas, números, metas e explicar de onde sairão os recursos necessários para executar suas propostas.
O Rio de Janeiro enfrenta problemas históricos e complexos. Segurança pública, crise fiscal, saúde, transporte, geração de empregos, desenvolvimento do interior e fortalecimento das instituições exigem muito mais do que frases de efeito e ataques entre adversários.
O eleitor precisa conhecer projetos concretos e compreender exatamente o que cada candidato pretende fazer caso chegue ao Palácio Guanabara.
Depois do primeiro debate, permanece uma pergunta que deverá acompanhar toda a campanha:
quem está realmente preparado para governar o Rio de Janeiro?
O Estado do Rio merece um debate político à altura de sua importância e, principalmente, à altura dos seus problemas.

